segunda-feira, 3 de setembro de 2007

IMPERDÍVEL



"Os Sertões", de José Celso Martinez, chega a Salvador
Salvador recebe esta semana mais um grande espetáculo teatral. A montagem Os Sertões, baseada na obra homônima de Euclides da Cunha, será apresentada de 5 a 9 de setembro, no Museu du Ritmo. A peça tem direção de José Celso Martinez Corrêa e conta com o apoio da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), através do Fundo de Cultura, e da Petrobras. Para recontar a Guerra de Canudos, o diretor José Celso Martinez Corrêa montou um espetáculo grandioso, envolvendo 70 profissionais, sendo 47 atores, músicos, dançarinos e atores mirins do Movimento Bixigão, projeto social que atende crianças e adolescentes do bairro do Bixiga (São Paulo) por meio de oficinas gratuitas de arte. A encenação é da Companhia Teatro Oficina Uzyna Uzona. Os Sertões é composto por cinco peças: A Terra (dia 5), O Homem 1(dia 6), Homem 2 (dia 7), Luta 1 (dia 8) e Luta 2 (dia 9), que transpõem para o palco a obra literária completa de Euclides da Cunha. No total são 26 horas de encenação divididas nos cinco dias. O primeiro espetáculo traduz a geografia do sertão nordestino; o segundo traz a formação do homem brasileiro até chegar à descrição do sertanejo; na terceira peça o foco é o relato da transformação de Antônio Maciel em Antônio Conselheiro. As primeiras expedições do exército brasileiro a Canudos são apresentadas na quarta peça. Na última, o público terá a oportunidade de ver o desfecho da Guerra de Canudos. As cenas dos primeiros capítulos do livro são projetadas em telões, captadas por câmeras e com corte ao vivo de um VJ.
O diretor de arte Osvaldo Gabrielli, faz chover areia no sertão e coloca ator para voar em cena. Foram confeccionadas cerca de 70 réplicas de armas de fogo, entre espingardas utilizadas no final do século XIX e 30 metralhadoras modernas, como AK47 e fuzis americanos, utilizados na Guerra do Golfo e mais pistolas de época, como manlincher, comblaein, modelos utilizados pela Gestapo alemã, além de clavinotes antigos (com boca de sino). O destaque fica por conta da Matadeira. Levada pela expedição nacional ao sertão baiano, o canhão 32 desenhado pelo diretor de arte tem sua estrutura toda feita em ferro e pesa cerca de meia tonelada.
Vale destacar que o projeto Os Sertões inclui ainda uma oficina de teatro para adolescentes de grupos locais. Eles recebem treinamento de atores e músicos e são integrados ao elenco, participando da peça como atores mirins. De acordo com a diretora do Fundo de Cultura, Carmem Lúcia Lima, a iniciativa abre oportunidades para o teatro local. “Existe o efeito multiplicador da oficina”, lembra, ressaltando que essa é uma contrapartida interessante na perspectiva de formação de novos profissionais. Os Sertões - Os Sertões já foi apresentada em Recklinghausen e Berlim (Alemanha), além de São Paulo e São José do Rio Preto. A montagem será apresentada ainda em Recife, Rio de Janeiro e Quixeramobim (Ceará). A peça foi vencedora dos prêmios Shell em 2002 e 2005, Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte em 2003 e 2005, além do Prêmio Bravo Prime de Cultura, oferecido pela Revista Bravo!. José Celso Martinez Corrêa - Reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho como diretor, ator, dramaturgo e compositor, José Celso Martinez Corrêa dirigiu mais de 20 peças, entre elas Rei da Vela (Oswald de Andrade), Pequenos Burgueses (Maximo Gorki), Galileu Galilei e Na Selva das Cidades (Brecht), Hamlet (Shakespeare) e Roda Viva (Chico Buarque). Também dirigiu filmes e programas para TV.

SERVIÇO: "Os Sertões"- Texto: baseado na obra de Euclides da Cunha Direção: José Celso Martinez Corrêa Encenação: Companhia Teatro Oficina Uzyna Uzona Co- realização: TAG Produções Datas: 05 a 09 de setembro Horários: quarta e quinta, às 20 horas – sexta, sábado e domingo, às 18 horas Local: Museu du Ritmo (Av. Jequitaia, 3 - antigo Mercado do Ouro, Comércio - Salvador – Bahia. Tel. 71.3242-0244) Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Exposição fotográfica: Transições

Exposição fotográfica de Karla Brunet

quarta-feira, 8 de agosto de 2007


segunda-feira, 23 de julho de 2007

Reunião

Queridos amigos,
gostaria de lembrar a todos da nossa reunião amanhã na casa de Caetano às 18h. Larissa apresentará, enfim, a tão aguardada performance. Imploro que levem seus trabalhos (que, com certeza, já estão em fase de finalização) para podermos iniciar a montagem da expo. Sem chances de termos mais tempo. É hora de botarmos a mão na massa. Literalmente. Beijos aos montes,
Kal

sexta-feira, 13 de julho de 2007

INCITO - noticias do agora - 19 de julho - 19h - Aliança Francesa


VERBO EM SÃO PAULO


Fotos Greg Salibian/Folha Imagem

A PURPURINA, O CUBO E A LASANHA

Com o corpo coberto apenas de purpurina dourada, Maurício Ianês passou duas horas deitado no chão da galeria Vermelho, no festival Verbo 2007; sua performance, "Zona Morta", recebeu a visita de Guto Lacaz, que tirou casaco e chapéu para deitar ao seu lado.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Greenaway rodará "pornografia" em SP

Plano é realizar obra "extremamente erótica" na cidade em 2008; cineasta chegaria ontem ao Brasil para participar de eventos. O artista galês de 65 anos afirma à Folha que o cinema está morto e preso a velhas fórmulas dos épicos cristãos e dos dramas psicológicos.

TEREZA NOVAESDA
REPORTAGEM LOCAL

Peter Greenaway está convencido de que o cinema está morto. O artista multimídia -que dirigiu festejados filmes à sua época, como "O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante" (1989) e "O Livro de Cabeceira" (1996)- considera hoje desinteressante essa forma de arte. Para ele, o cinema é "chato", "fora de moda" e algo que atualmente "agrada apenas a pais e avós". Ainda assim, o artista galês de 65 anos continua bastante ativo dentro do universo cinematográfico. Ele lança no Festival de Veneza, que tem início no dia 29/8, seu mais recente filme, "Nightwatching", baseado em uma tela de mesmo nome do holandês Rembrandt. Greenaway chegaria ontem a São Paulo, onde conversará com produtores locais sobre um filme que pretende rodar na cidade em 2008. "Tenho quatro novos filmes em preparação, um deles espero que seja rodado em São Paulo no ano que vem. É uma pornografia, um filme extremamente erótico, baseado em um episódio histórico. É uma leitura visual sobre uma extraordinária nova mídia de impressão de imagens que existiu no século 16, na Europa", descreve. O elenco, segundo ele, será "universal", como em seus últimos filmes. VJHá outras duas razões para a visita de Greenaway ao Brasil. Amanhã, ele realiza uma palestra no seminário Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. Em setembro, ele é uma das principais atrações do Videobrasil, festival de arte eletrônica que acontece em São Paulo. Para o festival, ele prepara uma performance de VJ, na qual vai remixar ao vivo cenas de "Tulse Luper Suitcases" (as malas de Tulse Luper), filme realizado entre 2002 e 2003 com sete horas de duração. A obra já foi descrita pelo diretor como a "descoberta do urânio" e "92 histórias sobre o ouro do Holocausto". Tulse Luper é um escritor que viveu em várias prisões. A performance será ao ar livre, na rua ao lado do Sesc da avenida Paulista. Uma exposição com as 92 malas de Tulse Luper, as quais "contêm todas as informações do mundo", e palestras completam a participação de Greenaway. Nas palestras no Brasil, ele defenderá suas idéias: o cinema está ultrapassado e precisa ser reinventado. "Fiz cinema nos últimos 30 anos e posso afirmar: o cinema é chato. É uma reprodução do teatro dramático do século 19, pessoas fingindo ser o que não são, cenários saídos de novelas antigas. O cinema não entendeu [Jorge Luis] Borges ou [Italo] Calvino, continuam refazendo Balzac e Dickens. Os enredos remoem os épicos cristãos e os dramas psicológicos", afirmou em entrevista à Folha, por telefone, de Amsterdã. Mas o que falta ao cinema hoje? "Em um novo mundo, um mundo digital, de informação, da segunda revolução de Gutemberg, acho que nós precisamos de mais interatividade, escolhas e de possibilidades multimídia", afirma. "Estou em busca de um cinema que muda, que é diferente a cada novo olhar. Isso é necessariamente não-narrativo, não é uma colagem de textos. E há também outro elemento que tem a ver com os DJs nas discotecas, o prazer físico, o estímulo geral, dos olhos, dos ouvidos, que fazem com que o corpo se mova. É por isso que encorajo as pessoas a dançarem durante a minha performance. É como ir a uma discoteca, mas estruturada como um cinema muito contemporâneo. É isso que eu tenho feito nos últimos dois anos e é o que pretendo reproduzir em São Paulo." Para realizar o trabalho de VJ, Greenaway utiliza um aparato especial. "Tenho um extraordinário equipamento de TV, baseado em "touch screen" [telas sensíveis ao toque]. Posso apertar e projetar imagens, cerca de 3.000 ou 4.000, numa série de telas múltiplas, associadas à música", explica. O artista se aproximou também de outras ferramentas contemporâneas, como a internet, e as mescla com artes clássicas, como a ópera e cinema. (Greenaway tem seu avatar, um personagem que o representa, no site Second Life. Seu nome é Tulse Luper). "No fim, cria-se um produto que se manifesta em formas clássicas de arte, como o cinema e a ópera, e também em formatos contemporâneos. É um produto da era da informação, no qual a internet e a navegação pelo mundo virtual são centrais."

Colaborou EDUARDO SIMÕES.